quarta-feira, julho 21

Efemérides

Iuri Xavier Pereira e Alex Xavier Pereira, heróis da resistência


Não sou muito de efemérides. Quem sabe isso vem dos anos de clandestinidade durante a guerrilha urbana, quando as datas que mais me marcavam eram aquelas do combate?

Em janeiro de 1970, morreu o primeiro de nossa turma do Pedro II, Luiz Afonso Miranda Rodrigues, no Rio de Janeiro. Em 1971 assassinaram Aldo Sá Brito na tortura, lá em Belo Horizonte, também em janeiro. O ano de 1972 começou com o assassinato de Alex de Paula Xavier Pereira, em São Paulo. Em janeiro de 1973 cheguei a Santiago do Chile, a caminho de Havana, enviado por meus companheiros de combate. Então quer dizer que se tivesse ficado no Brasil teria sido seria minha vez? Nunca saberei.



Guardei datas e mais datas, sempre ligadas às circunstâncias da luta armada. Desde que comecei a escrever minhas memórias, um processo de esquecimento teve início. Como se meu compromisso com as lembranças não fizesse mais sentido. Estavam ali as histórias, parte da História de nosso povo, para serem lidas por todos os interessados. Algumas não têm jeito, estarão sempre presentes. Quatro de novembro de 1969, vinte três de outubro de 1970, quatorze de junho de 1972. Outro dia falarei sobre essas datas, essenciais em minha vida, decisivas para a ALN.


Aos companheiros que viveram, lutaram e morreram pela liberdade, dedico o dia do amigo, um pouco atrasado, devido a essa minha implicância com as efemérides, mas ainda em tempo.

3 comentários:

Luiz Claudio Cunha Souza disse...

Carlos Eugênio eu li dois livros teus. São impressionantes. Ali pude ter uma idéia do que foi a luta armada para os que ousaram resistir e enfrentar os golpistas de 1964. Digo ousaram porque além de muitos serem bastante jovens a luta era completamente desigual. Mas assim mesmo vocês enfrentaram o aparato civil-militar multinacional e são motivo de orgulho para os brasileiros. Aos que lerem este comentário peço que leiam estes livros para que possam além de conhecer a verdade entender o que foi esta época, o que era o Brasil, o processo histórico, o contexto em que foram travados os combates e as ações.

ERNESTO disse...

Camarada Clemente, sou filho do Henrique (MRT), prazer em estar em seu blog...estou em SP ajudando a aprofundar a democracia...desejo sorte em sua campanha ai no Rio...nao tenho como te ajudar muito daqui de sampa...mas estou a disposiçao!
abs Forte
Ernesto

meu email...contato@cantorernestoguevara.com.br

Anônimo disse...

Camarada:
O capitão Lamarca que o difícil não seria morrer em combate, e sim, sobreviver carregando para todo o sempre a lembrança dos companheiros que tombaram na luta contra a ditadura. Você, representando o RJ e eu, São Paulo, temos o compromisso de em Brasília resgatar a memória de nossos camaradas.
Baitabraço
Sargento Darcy.

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