sexta-feira, julho 16

Um mandato?


Foto - Carlos Marighella, exemplo de vida


Desde que decidi candidatar-me a um mandato de deputado federal nas eleições de outubro próximo, alguns amigos e companheiros das novas e das velhas fornadas me perguntam: por quê? Afinal é a primeira vez que me candidato, e luto desde os quinze anos de idade.

A resposta pode ser dada em artigos imensos, talvez mesmo um livro, ou pela publicação de um programa extenso de mandato, mas não seria meu jeito. É evidente, por exemplo, que um programa de mandato existirá, mas ele será construído junto com os companheiros que se agregarem à campanha e com os movimentos sociais com os quais tenho contato.
Prefiro dar essa resposta falando do dia a dia, mostrando o que penso dos problemas que a vida nos coloca pela frente, para que as pessoas me escolham como candidato pela minha história de luta e pelas minhas concepções. Como é fácil construir um programa que não será jamais cumprido! Não esperem isso de mim.
Sou candidato agora porque sou brasileiro, socialista, acho que aprofundar a democracia é hoje nossa tarefa revolucionária, defendo liberdade, igualdade e fraternidade, e me considero pronto para assumir essa tarefa. Sou músico, escritor, não preciso de outra carreira, preciso sim, de um mandato para poder falar para muitos e legislar no sentido do aprofundamento da democracia, essa nossa democracia que ainda é domesticada, mas um dia será popular.
Aos poucos irei deixando aqui minhas propostas. A de hoje é: pela abertura dos arquivos da ditadura e pela Comissão Nacional da Verdade!

2 comentários:

Maria Cláudia disse...

Conhecer o Brasil não é só evocar índios, a Amazônia e ditadores cobertos de medalhas do tamanho de panquecas, como afirmou João Ubaldo Ribeiro em um de seus livros, mas conhecer a história de nossas lutas, tão negadas ao povo brasileiro. O conhecimento portanto, desse passado, tem que atravessar necessariamente a abertura dos arquivos, esclarecendo não só aos familiares o destino de seus filhos, mas mostrando que em nosso país houve uma luta de resistência que ceifou a vida de milhares de brasileiros e que, de armas ou não nas mãos, tinham um projeto de nação para o Brasil. Em uma entrevista que realizei há algum tempo atrás, com uma representante dessa luta, lá estava a política de esquecimento praticada no país, e expressa, em comentários bastante freqüentes de que era necessário virar a página. Pelo menos era isso que ela escutava em sua volta ao Brasil, quando o assunto ainda incomodava. Mas quando deixará de incomodar?
Virar a página? Mas como, se ainda nos são negados os arquivos da ditadura de Getúlio Vargas, queimados para não deixar vestígios, quando o Exército brasileiro se nega a reconhecer que abandonou os combatentes na Guerra do Paraguai, feridos e deixados sobre padiolas para morrer à própria sorte, quando se tenta justificar governos autoritários sob a alegação de que a violência é necessária. Um dia desses me deparei com um jornal do exército intitulado O BRAVO, que destacava a coragem e ousadia dos pracinhas brasileiros que foram à Itália defender a liberdade contra os regimes fascistas europeus. Liberdade essa, que anos depois foi solapada aqui no Brasil, retirando do povo brasileiro seu direito de se rebelar, de lutar por melhores condições de vida, de se desenvolver como um país pensante, maculando também a história das Forças Armadas.
No jornal, falavam da Fortaleza de Santa Cruz sem mencionar jamais que foi um centro de torturas, falavam de militares das Forças Armadas, sem sequer tocar no nome de Apolônio de Carvalho, falavam da necessidade de se preservar a memória do sargento Onofre Rodrigues de Aguiar (cujos feitos segundo o jornal, teriam sido o de capturar dois alemães e se apoderar de uma metralhadora e dois fuzis), sem mencionar tantos outros defensores da liberdade, que abandonaram suas vidas, suas corporações, seus estudos, trabalho e família para se engajarem numa luta que durou 21 anos. Luta, aliás, bem mais longa do que a II Guerra Mundial, e cujos feitos estão longe de ser episódicos. Como já dizia o grande Gonzaguinha, esses combatentes, soldados sem nome, um dia serão reconhecidos, saindo do panteão obscuro no qual foram deixados: as páginas policiais. Porque eles não nos deixaram notícias, nos deixaram exemplos. E assim cantarolando, vamos juntos, seguindo esses tantos Juvenais, Carlos, Raimundos, para encontrar a solução.

Paulo Tamburro disse...

OLÁ CLEMENTE,

ESTE É O TÍTULO E UM TRECHO DA CRÔNICA DO MEU BLOG DESTA SEMANA: HUMOR EM TEXTO!

“FILHOS DA MESMA MÃE?

Quem já não ouviu as mães em conversas de intimidade, dizerem que seus filhos são inteiramente, diferentes uns dos outros?”.

Venha visitá-lo e deixe também seu comentário.

Ficarei muito honrado!

Um abração carioca.

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